sábado, 23 de novembro de 2013

FAMÍLIA UNIDA!



" Os espíritos, cuja similitude de gostos, identidade do progresso moral e a afeição fazem com que se reúnam, formam famílias. Esses mesmos espíritos, nas suas migrações terrestres, se procuram para se agruparem, como o fazem no espaço, nascendo daí as famílias unidas e homogêneas. Se, nas suas peregrinações, momentaneamente eles são separados, mais tarde se reencontram, felizes com os seus novos progressos. Porém, como não devem trabalhar somente para si mesmos, Deus permite que espíritos menos adiantados venham encarnar entre eles, para receberem conselhos e bons exemplos, com vistas ao seu adiantamento. Muitas vezes, tais espíritos tornam-se a causa de perturbações naquele meio, mas é isso que constitui a prova, e a tarefa que os outros tem que desempenhar.
Acolhei-os , portanto, como irmãos; ajudai-os, e mais tarde, no mundo dos espíritos, a família se alegrará por haver salvo alguns náufragos que, por sua vez, poderão salvar outros."
(Santo Agostinho.Paris,1862)


Falar desse assunto é uma coisa que eu não tenho muita moral, aliás, nenhuma, porque pra minha família eu sou o monstrinho, a ovelha negra, o tormento, o estorvo... Eu causei muita encrenca, eu me meti demais, e demorei pra me tocar de que aquele lar não era pra mim, ou porque o povo não merecia a convivência comigo, ou porque eu abusei demais... E isso, eu estou dizendo sob a óptica deles... É que a minha não conta, nunca interessou a eles... E entre a vítima, e a algoz, eu prefiro a fama de monstro mesmo...
Mas, se eu parar pra considerar a minha utilidade naquele lar, eu chego à conclusão de que, se nasci unicamente pra ajudar alguém ali, eu nasci à toa... E se nasci pra ser ajudada por alguém dali, eu creio que eles não ajudam a si próprios...
Eu não sei o que fiz pra eles no passado, e tenho apenas uma idéia, mas não sou bem vinda ali...
A minha versão? É que talvez, da minha pior maneira, eu tentei ajudar a cada um, E ME FODI DE VERDE E AMARELO! Bem que dizem que quem quer ajuda procura... E, quando saí de lá, eu entendi que quem precisava de ajuda era eu, não eles, que vivem muuuuuito bem sem mim, e que vivem muito bem um sem o outro...
A última vez que vi um lar naquela casa, foi até pouco depois do meu pai falecer... Depois... Bem, depois, cada um vai revelando o que é, de onde vem, e aquele lar definitivamente não era um espaço saudável pra mim!
Em suma: Se eu tinha ou tenho ainda algum laço com aquele povo, é um laço inútil, usado pra nada, porque nem me auxiliaram, e nem eu consegui fazer isso com eles, por mais encrenca que eu tenha arranjado em nome disso... Qualquer ato meu é visto como ruim, como negativo... QUALQUER UM MESMO, até atos que não são meus tem o meu nome, como roubo...
Então, se não há nada que eu faça que possa ser útil pra eles, eu vou usar minha utilidade à quem quer e vê que precisa, à quem confia em mim, aos meus familiares do coração! É certo que eu precisava nascer, e tinha que ser de algum útero, e isso eu já entendi... E creio que não tenho missão alguma com essa família onde nasci e cresci... O que achei que precisava fazer por eles eu já fiz, e passei por cima de mim... E só acordei quando saí de casa, e percebi que nunca tive família... A família não está ao seu lado em carne e pele... A família está com você, mesmo que você esteja do outro lado do mundo, e nisso descobri que sou sozinha, que sempre fui... Pode ser que você descubra isso quando sair de casa, seja pra casar, seja pra morar sozinho, pra trabalhar em outro país, e pode ser uma grande decepção... Mas, entenda, ao menos é A VERDADE que vem à tona...
Foi péssimo pra mim, canceriana ligadona à família, cair no chão da realidade e ouvir o eco, só da minha voz... O choro, só da minha voz... Os gritos, só da minha voz...
A minha mãe nunca gostou de mim, por eu falar muito na cara, e ela me acha arrogante... Ela nunca disse isso, mas por eu gostar muito da verdade, eu vejo, e faço questão de não me esconder isso... Às vezes, é difícil eu acreditar no amor de mães, de outras mães, mas, eu percebo pelos atos delas, que elas amam mesmo os seus filhos... É, nascer e não ser amada por quem te colocou nesse mundão, é uma coisa que eu diria que... Na marra, te ensina a se virar sozinho, a se foder, sem nenhuma palavra de que as coisas vão melhorar (Snif...)... Eu cresci em três anos o que não cresci em 28...
Meu nascimento enquanto humana, foi em 1982, mas nasci de novo, pra uma nova visão da vida, em 2005, com 23 anos, e nasci em 2010, com 28 anos... Igualzinha à uma criança abandonada, eu dependia de gente estranha pra me ajudar, e descobri graaaaaaaaandes amigos, pessoas que jamais vou esquecer...
A ovelha desgarrada não voltará a seu rebanho, e agora é só porque ela percebeu, que ela prefere ser negra e desagarrada mesmo, que prefere o preço de ser sozinha, à ter todo mundo na mentira, sem uma base sólida... A diferença daquele dia, daquele ano, pra hoje, é que agora, sou eu que não quero mais, sou eu que não faço mais questão, agora eu acordei!
As minhas irmãs não gostam de mim, e meu irmão só se importa com amizades do momento...
Eles que fiquem e se entendam com eles mesmos...
Meu pai, Deus levou... Agora, eu é que vou construir minha família, no meu coração, e de coração viver da melhor forma possível!
Eu nem ia falar tanto assim da minha vida, mas acabou saindo...
Não é fácil viver com outro ser humano, principalmente quando você o ama... Porque... Se você está cagando e andando pra determinada pessoa, ela não tem poder sobre você, e faça o que ela fizer, aquilo não te perturba, não te tira do " eixo "... Não sei, agora falando da mensagem de Santo Agostinho, se tem muito sentido colocar pessoas " diferentes " em certos lares... Ninguém ajuda ninguém, e só há perturbação... Um lar sem amor, não tem amor pra ninguém, de forma nenhuma! Aliás, o lar só pode ser construído com amor... Do contrário, sem essa compreensão necessária às diferenças do outro, vira um verdadeiro inferno!
Cada pessoa é diferente, cada um tem uma lista de qualidades, que é aquilo que a gente admira e se identifica, e cada um tem uma lista de motivos para nos afastarmos delas... Cabe à nós, pesar o que realmente importa, e por muito tempo eu pesei os meus sentimentos, o meu coração... Se eu tivesse pesado a razão, teria saído de casa mais cedo... Eu consegui ir até o esgotamento de minhas disposições emocionais...
Eu sempre acho incrível, o número de " estranhos ", que gratuitamente confiam em mim... E o contraste que isso é com quem me pôs no mundo, e com pessoas que cresceram comigo... Essa, é a maior prova, de que TEMPO NÃO DETERMINA AMOR, CONHECER, OU PELO MENOS, ACHAR QUE CONHECE, NÃO CONDUZ NOSSOS SENTIMENTOS...
Acho que, ainda não encontrei meus familiares por afinidade... Eu sei que passei meu último Natal com alguns deles, e foi o melhor Natal da minha vida, pois nunca senti taaaaaanta paz, aliás, achava que sabia o que era paz! É como se eu vivesse constantemente desencaixada, e no Natal, eu estava completamente em mim!
Eu pedi pra passar o Natal com eles, no meio do ano, e me foi concebido...
O Natal desse ano, talvez e espero, que eu passe com meu " bebê ", de pêlo, rsrs... E vou me sentir tão feliz... Conforme vou passando por algumas experiências, eu vou percebendo que preciso de tão pouco pra ser feliz, pouquinho mesmo... Coisas muito sutis, daquelas que ninguém percebe, é o que me toca frequentemente...
Insisto, não é fácil viver neste planeta, lidar com o ser humano, qualquer um que seja... Dá vontade de largar tudo, de virar " hippie "... Mas, aí eu carrego eu comigo... E não posso fazer comigo o que os outros fizeram e fazem! Eu tenho um compromisso, eu tenho eu sob minha custódia, eterna, e jamais vou poder fugir disso... E também sei, que essa minha vontade louca de sair ajudando todo mundo pode ser administrada, por mim, de modo que eu não apanhe por isso... Eu aprendo tantas coisas, e apenas quero compartilhar, porque não acho justo guardar só pra mim... Preciso colocar pra fora, como a necessidade de beber água quando estou com sede...
O Bem precisa ser espalhado, precisa ser distribuído, precisa ser compartilhado, pois esse nosso planeta está infectado de tanta maldade, de tanta dor e negligência... Não existe um buraco na camada de ozônio, mas no coração humano, e por não estar completo, acaba fazendo tantas besteiras, em nome de todas as outras coisas, menos o Amor Maior!
As famílias não sentam no sofá, unidas, como na ilustração acima, porque cada um está grudado numa porcaria de celular e computador! Porque as idéias não " batem ", então é melhor nem começar pra não arrumar encrenca... As pessoas em seus lares, trocam mais acusações do que carinho, elogios, cuidados... RESPEITO! As pessoas não se olham como pessoas, mas seus " papéis " perante a família... A criança cresce se espelhando em seus pais, inconscientemente, e sai copiando... Se aquilo é bom ou ruim? Ela não sabe selecionar, ainda não tem tato pra isso, mas copia...
O que quero dizer com isso é que, ainda não temos condições, estrutura, pra conseguir ajudar o mundo todo, pra auxiliar à todos que precisam, mas, podemos começar, tentando isso em nossos lares... Desafiando em si mesmo, aquilo que incomoda no outro... O outro, seja quem for, é sempre uma escola, para o aluno que quer aprender... Não é fácil levar isso na prática, quando não conseguimos sequer lidar com nós mesmos... Mas, tentar, é a chave... E ela está na mão de todos...
BOA SORTE!

Um comentário:

  1. Lindo texto. A messagem de Santo Agostinho me lembrou de um dos meus livro favoritos, "The Celestine Prophecy" de James Redfield (mais em http://www.celestinevision.com/). Se quiser posso lhe passar meu exemplar. Depois envia para raniere@riseup.net um endereço para o qual posso lhe enviar um cartão postal.

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